Pesquisar

Centenário diocesano: dados históricos

No último dia 4 de fevereiro, jubilosos, nos reunimos para celebrar os cem anos de nossa Igreja Diocesana, idealizada pelo santo Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta, levada a efeito pelo seu sucessor, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, e criada pelo Papa Pio XI (1922-1939), naquele memorável primeiro de fevereiro de 1924.

Historicamente, a criação de nossa diocese faz parte da uma série de instalações de outras circunscrições eclesiásticas no Brasil, nos primeiros anos do século XX, dado o crescimento sensível da população e da mudança política, passando da Monarquia para a República, acontecida em novembro de 1889.

Sem desconhecer os imensos benefícios que o Império Monárquico e Parlamentar trouxe para o Brasil e para a fé cristã na formação de nosso povo, na verdade, o que parecia algo desvantajoso para a Igreja se revelou, por obra de Deus, como grande vantagem. Isso porque, no Império, a criação de dioceses e paróquias dependia do Estado e, agora, a Igreja passa a ter liberdade de agir, atendendo aos interesses pastorais, religiosos e espirituais do povo brasileiro, em sua grande maioria, católico. Basta dizer que até a Proclamação da República, no Brasil inteiro havia apenas 12 dioceses e, ao se estabelecer a liberdade da Igreja frente ao Estado, a partir da lei de separação entre estas duas instituições, acontecida aos 7 de janeiro de 1890, nos 30 anos seguintes foram criadas 56 dioceses e 18 prelazias, e eleitos cerca de cem bispos. Deus escreve certo por linhas tortas; Deus pode fazer das pedras do caminho filhos de Abraão. Saiu a Igreja vitoriosa daquilo que parecia uma crise, e isso se tornou uma bênção.

Dentre essas iniciativas abençoadas por Deus naquele período, está incluída a efeméride que comemoramos jubilosamente em Juiz de Fora: cem anos como Igreja Diocesana. A escolha de Juiz de Fora para sede da nova circunscrição eclesiástica se deu pelo desenvolvimento urbano e, sobretudo, pela expressiva presença pública da Igreja nesta comunidade, resultante, especialmente, do zelo apostólico de Dom Silvério Gomes Pimenta, então Arcebispo de Mariana, à qual as paróquias desta região pertenciam. Foi ele que, no final do século XIX e primeiros anos do século XX, trouxe os Verbitas, os Redentoristas, as Irmãs do Bom Pastor, as Irmãs de Santa Catarina, as Irmãs de Santos Anjos, as Irmãs do Espírito Santo. Deu apoio e incentivo às associações leigas, entre as quais a Sociedade de São Vicente de Paulo para cuidar dos pobres e, no campo da saúde, à Santa Casa de Misericórdia, já existente desde 1854, fundada por fiéis católicos. Tantas outras obras fez Dom Silvério por esta cidade, merecendo o título de grande benfeitor da região da Mata Mineira e idealizador de nossa Diocese.

Assim, ao ser criada a Diocese em 1924, a sede juiz-forana já contava com inúmeras obras religiosas de grande expressividade pastoral, social, educacional, caritativa, tais como inúmeros colégios religiosos. Juiz de Fora se destacava pela boa imprensa, sobretudo com a publicação em grande escala de expressão nacional, do jornal O Lar Católico, e na música sacra, com as composições de padres aqui residentes, como Padre João Batista Lheman e Padre Braun, verbitas, cujas músicas se espalharam praticamente por todas as paróquias do Brasil, através da publicação da famosa “Harpa de Sião”.

Ao chegar aqueles primeiros anos da década de 1920, é criada a nossa Diocese e nomeado seu primeiro bispo, na pessoa de Dom Justino José de Sant’Ana, que pôs alicerces firmes para esta Igreja, estabelecendo, de imediato, três obras de grande importância: no campo eminentemente Pastoral, instituiu o Seminário Santo Antônio; para a informação, formação e evangelização da sociedade, fundou o jornal semanal “O Lampadário”; e, para atender aos pobres, organizou o Patronato São José, que recebeu, durante dilatados anos, centenas de crianças e deu assistência a famílias carentes, além do apoio a outras iniciativas de caridade e promoção humana.

Sucessivamente, pastorearam esta grei Dom Geraldo Maria de Morais Penido (1958-1977), Dom Juvenal Roriz (1977-1990), Dom Clovis Frainer (1991-2001) e Dom Eurico dos Santos Veloso (2001-2009), cabendo agora à minha singela pessoa estar à frente desta amada Igreja desde março de 2009, caminhando para a emeritude dentro de pouco mais de um ano.

Levamos para aquele altar festivo tantos e tantos nomes impossíveis de serem contados e elencados de leigos e leigas, padres, religiosos e religiosas, além de autoridades e líderes vários que dialogaram conosco nestes cem anos de história, na busca de um mundo de paz e harmonia, na cultura da vida e do genuíno amor a Deus e ao próximo, caminhando na estrada de Jesus.

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira
plugins premium WordPress Pular para o conteúdo