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Proximidade das eleições

Para a Igreja, o povo brasileiro precisa participar, com mais consciência, nas eleições de 2026. É compromisso da política promover a justa ordem do Estado e da sociedade. Não significa substituir o compromisso do Estado na organização da política e nem a ter sob suas mãos. A Igreja quer oferecer a sua contribuição com a formação ética e critérios de coerência nas decisões do cidadão.

Não podemos perder de vista a importância da ética política e administrativa. O que está em jogo é a defesa da dignidade humana e da vida das pessoas. A ação política deve promover a paz e a solidariedade. Isto será possível se todos contribuírem com a campanha contra a corrupção eleitoral. Campanha desleal, compra de votos, com uso da máquina pública, é imoral e contra a ética.

Vamos eleger o Presidente da República, Governadores dos Estados, representantes do povo nas Assembleias Legislativas, em âmbito estadual e federal. Os eleitos, deverão dar os destinos necessários para o país. Isto exige de todos nós responsabilidade. Sintamos o peso da frase popular: “O voto não tem preço, ele tem consequências”, que podem ser danosas para todo o povo brasileiro.

Não devemos colocar em jogo as esperanças. Somos desafiados pelos inúmeros escândalos públicos. Assim entendemos as palavras do Papa Bento XVI, na Encíclica “Deus é Caridade”, onde ele fala da questão política na aplicação do amor cristão. Para o seu entender, faz parte da vida do cristão a militância política. Ele tem o dever de trabalhar por uma ordem justa na sociedade.

O cristão deve assumir função legislativa para promover o bem comum. A Igreja não assume opções partidárias, mas procura formar as consciências. Ela não deve colocar-se no lugar do Estado e nem ficar à margem da luta pela justiça. Em outras palavras, é o Estado quem deve organizar a política e não a Igreja. Por causa disto, o voto deve ser dado com discernimento responsável.

Temos hoje os grandes desafios provocados pela adoção de políticas geridas por um sistema capitalista neoliberal. A sociedade sempre sofre as consequências dessa realidade. Daí vem a violência, o crime organizado, a exclusão social etc. Somente um quadro político sadio e responsável poderá trazer esperança de mudança para criar uma realidade benéfica, autêntica e democrática ao país.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo metropolitano de Uberaba

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