
Levando em consideração o clima cultural da atualidade, a autenticidade é uma palavra muito provocadora, porque as falcatruas, fraudes, falsificações, inverdades, especialmente no campo político e econômico, têm um tom de extrema relevância. Pois, sabemos que a palavra autenticidade significa a evidência de tudo que é considerado genuíno, verdadeiro, original e legítimo na vida comunitária.
A sociedade tem a marca das maquinações, às vezes para fazer o bem, às vezes para fazer o mal. A profecia bíblica chama nossa atenção quanto ao falar da escolha do mal (cf. Is 55,7). Existe muita falsidade envolvente, praticada com objetivos individualistas e desconectada com o bem comum social. Esta é uma realidade bem presente nas tratativas eleitoreiras, como na compra de votos.
O desenvolvimento tecnológico é um dom divino e perfeito. Assim acontece com a beleza e a precisão da Inteligência Artificial, principalmente em relação aos resultados que ela produz. Mas tudo depende de quem a alimenta com dados, se é para fazer o bem, ou para fazer o mal. Então, a autenticidade da técnica não depende dela mesma, mas dos interesses honestos ou com propósitos desonestos.
Parece haver hoje uma competição entre o agir de Deus e a mentalidade humana. Mas é um humano com tendência para descartar os princípios divinos, que se destacam pelo trajeto da moralidade. Para um ato humano ser autêntico, o substrato de fundo não pode ir na contramão da justiça e da verdade. O apóstolo Paulo fala de “buscar viver à altura do Evangelho de Jesus Cristo” (Fl 1,27).
Autêntico é aquele que se identifica com a “estatura de Cristo” (Ef 4,13), que não se conforma com os nossos esquemas e nem se deixa aprisionar pelos nossos cálculos, às vezes desonestos. Pela mentalidade atual, não é fácil entender o agir de Deus. Para ele não importa a quantidade de trabalho realizado, mas a qualidade da vida do trabalhador e de suas necessidades mais urgentes.
As palavras autenticidade e justiça caminham lado a lado. É uma marca sem precedentes da Doutrina Social da Igreja, porque o alvo principal é a dignidade da pessoa humana e não a prática de privilégios. O ser humano não pode ser transformado em uma mera mercadoria, que se negocia conforme os interesses dos negociadores e com os critérios dos mais fortes e dominadores.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo Metropolitano de Uberaba





