
Bairrismo significa apego exagerado pela sua cidade, seu bairro ou até seu local de nascimento. Realmente devemos valorizar aquilo que nos toca mais de perto, que envolve relacionamentos e desejo de progresso. Não há nada de mal nisto. Mas aqui quero dizer de um bairrismo diferente, de uma questão que afeta muito a vida de uma cidade ou de toda uma região, questão referente às eleições.
Existem as afinidades naturais, os sentimentos individuais e paixão por determinados candidatos ao pleito eleitoral. Sabemos que o voto é uma expressão da consciência e de total liberdade do eleitor, para credenciar, e digo mais, em nome de Deus, para o sufrágio de seu voto. Todo poder vem de Deus, senão ele não é verdadeiro, pelo fato de votar sem liberdade, que identifica o ser mesmo do eleitor.
Sabemos que há um número grande de partidos, formados por muitos candidatos, e os votos ficam muitos desconcentrados. Acaba, ninguém sendo eleito e a região fica desamparada. Assim é Uberaba, com uma população de quase quatrocentos mil habitantes, que passou quatro anos sem nenhum representante federal e nem estadual. É prejuízo, porque muitas verbas não chegam na cidade.
O que estou querendo dizer com tudo isto, e isento de qualquer espírito de politicagem, é que devemos votar em candidatos da própria região, naqueles que têm condição de intermediar verbas para os Municípios. O eleitor estará contribuindo para ajudar no desenvolvimento econômico local. Os municípios dependem também de verbas estaduais e federais, que veem através dos políticos.
A política faz parte da vida humana. Aliás, política é a arte de bem governar, não governar só para dentro, para os interesses pessoais, mas para a coletividade. Votar é dar crédito a quem pensa e luta pelo bem de todos, que está preocupado com o bem comum da população. É uma dimensão de espiritualidade, porque “vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8).
A reflexão que faço, nesta matéria, significa tarefa da Igreja no trabalho de orientar a sociedade da importância de votar bem e com plena consciência. Se fazemos isto com seriedade e liberdade, estamos dando a nossa contribuição para o bem público. Da parte do eleito, fica a esperança de ser um bom e responsável gestor público, agindo com despojamento, honestidade e proteção divina.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo Metropolitano de Uberaba




