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CNBB Regional Leste 2 promove Encontro Regional sobre a Missão da Cúria Diocesana

A CNBB Regional Leste 2 promoveu, entre os dias 3 e 5 de agosto, na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte (MG), o Encontro Regional sobre a Missão da Cúria Diocesana. O momento reuniu vigários-gerais, ecônomos, chanceleres e assessores jurídicos das 28 (arqui)dioceses de Minas Gerais para refletir sobre a identidade, a organização e o serviço das cúrias diocesanas no contexto da missão evangelizadora da Igreja.

Com assessoria de Dom Denilson Geraldo, SAC, bispo auxiliar de Brasília e doutor em Direito Canônico, a programação contou com momentos de espiritualidade, formação, partilha de experiências e aprofundamento de temas relacionados ao funcionamento das cúrias das Igrejas particulares.

Um serviço a favor da comunhão

A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente do Regional Leste 2, Dom José Carlos de Souza Campos, arcebispo de Montes Claros, que acolheu os participantes destacando a expressiva participação das 28 (arqui)dioceses do Regional.

“A presença de todas as vinte e oito dioceses é um sinal muito bonito”, afirmou.

Ao dar início aos trabalhos, Dom José Carlos ressaltou que o Regional Leste 2 existe como espaço de comunhão entre as Igrejas particulares, favorecendo a aproximação, a escuta e a partilha de experiências.

“O Regional é uma instância de comunhão, de aproximação, de partilhas”, destacou, recordando que sua missão não consiste em exercer ingerência sobre as dioceses, mas fortalecer a unidade e a colaboração entre elas.

As atividades tiveram início com um momento de oração inspirado no Evangelho do administrador fiel e prudente. A reflexão recordou que o serviço desempenhado nas cúrias ultrapassa a dimensão técnica e administrativa, estando diretamente ligado à missão evangelizadora da Igreja.

“A cúria diocesana existe para servir. Seu trabalho administrativo, jurídico e econômico não é um fim em si mesmo, mas um ministério de comunhão.”

A oração também destacou que cada decisão, documento, parecer ou recurso administrado deve estar a serviço do anúncio do Evangelho e do cuidado com o povo de Deus.

A identidade da cúria à luz do Direito Canônico

Ao longo do encontro, Dom Denilson conduziu uma reflexão sobre a identidade da cúria diocesana, destacando que sua missão somente pode ser compreendida a partir da própria natureza da Igreja.

Em sua exposição, apresentou elementos da eclesiologia do Concílio Vaticano II e explicou que o Direito Canônico não pode ser reduzido a um conjunto de normas administrativas, mas constitui uma ciência própria da Igreja, fundamentada em sua missão e em sua organização.

O assessor recordou a evolução da compreensão eclesiológica promovida pelo Concílio Vaticano II, que ampliou a visão da Igreja para além da concepção de uma sociedade juridicamente perfeita, reforçando sua identidade como Povo de Deus, chamado à comunhão e à missão.

Também foram abordadas as diferenças entre associações de fiéis e institutos de vida consagrada, bem como as atualizações introduzidas pelo motu proprio Authenticum Charismatis, do Papa Francisco, relativas ao reconhecimento de novos carismas na vida da Igreja.

Durante toda a exposição, Dom Denilson ressaltou que aqueles que trabalham nas cúrias não são apenas gestores de estruturas, mas discípulos chamados ao serviço.

“Antes de sermos administradores de estruturas, somos discípulos de Cristo, chamados a servir com humildade, prudência e transparência.”

Direito Canônico e os desafios da realidade pastoral

As reflexões também contemplaram situações concretas vivenciadas pelas dioceses do Regional, especialmente no que diz respeito à constituição jurídica de obras eclesiais, como escolas, creches e outras iniciativas pastorais.

Entre os pontos debatidos esteve a necessidade de que essas instituições possuam sólida fundamentação tanto no Direito Civil quanto no Direito Canônico, garantindo sua continuidade, sua identidade e sua comunhão com a Igreja Particular, independentemente das mudanças de seus administradores.

Outro tema abordado foi a relação das instituições católicas com o poder público, sobretudo na área da educação, destacando a importância do diálogo à luz do princípio da subsidiariedade, preservando sempre a identidade evangelizadora das obras da Igreja.

A contribuição do núncio apostólico

Um dos momentos centrais da programação foi a participação, por videoconferência, de Dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil, que refletiu sobre o tema “A cúria diocesana e a dinâmica pastoral: o nexo imprescindível para a missão evangelizadora”.

Em sua conferência, destacou que a cúria nasce do próprio ministério episcopal e existe para colaborar com o bispo no serviço à Igreja Particular.

Segundo o núncio, suas funções vão além da administração cotidiana, abrangendo o cuidado com a comunhão, o discernimento pastoral, a administração da justiça, o acompanhamento das comunidades e a promoção da unidade da Igreja.

Ao recordar uma imagem utilizada pelo Papa Francisco sobre a Cúria Romana, Dom Giambattista afirmou que as cúrias diocesanas também são guardiãs da memória histórica de cada Igreja Particular, preservando documentos, decisões, trajetórias pastorais e a história das comunidades.

Durante sua reflexão, ressaltou ainda que administração e pastoral não são dimensões opostas.

“Uma boa administração é a forma concreta da caridade. Ela zela pela justiça, promove a equidade, garante a transparência.”

O núncio também incentivou uma permanente conversão pastoral das estruturas diocesanas, apontando caminhos como a simplificação dos processos administrativos, maior agilidade no atendimento às comunidades e o uso da transformação digital em favor da missão evangelizadora.

Organização institucional, proteção de menores e visita pastoral

No último dia do encontro, Dom Denilson aprofundou aspectos relacionados à organização prática das cúrias diocesanas.

Entre os temas apresentados esteve a elaboração de estatutos e regimentos internos, instrumentos considerados importantes para fortalecer a organização institucional, assegurar continuidade administrativa e oferecer maior segurança jurídica às dioceses.

Outro ponto de destaque foi a atuação das comissões de tutela de menores e pessoas vulneráveis. O assessor reforçou a necessidade de que todas as dioceses avancem na constituição dessas comissões, promovendo não apenas o acolhimento de denúncias, mas também uma cultura permanente de prevenção, proteção e cuidado.

A programação abordou ainda a visita pastoral como expressão da missão da cúria junto às paróquias. A partir da experiência da Arquidiocese de Brasília, foi apresentada uma proposta de atuação integrada entre os diversos setores da cúria durante a preparação e a realização das visitas pastorais, envolvendo especialmente a chancelaria e o setor econômico, fortalecendo o acompanhamento das comunidades e o apoio aos párocos.

Arquivos eclesiásticos a serviço da memória da Igreja

Outro tema desenvolvido durante a formação foi a missão dos arquivos eclesiásticos.

Dom Denilson destacou que a preservação documental representa um importante serviço à memória da Igreja e à evangelização, ultrapassando o aspecto meramente administrativo.

Em sua exposição, enfatizou a importância da organização profissional dos arquivos paroquiais e diocesanos, da conservação adequada dos documentos e da valorização da história das comunidades, incentivando as dioceses a investirem em formação específica e em estruturas que garantam a preservação do patrimônio documental da Igreja.

Partilha de experiências fortalece a caminhada das dioceses

Além das conferências, a programação incluiu diversos momentos de diálogo entre os participantes.

Reunidos em grupos conforme suas funções — vigários-gerais, ecônomos, chanceleres e assessores jurídicos —, os representantes das dioceses compartilharam experiências, desafios e boas práticas relacionadas ao cotidiano das cúrias diocesanas, favorecendo a troca de conhecimentos e o fortalecimento da comunhão entre as Igrejas particulares do Regional Leste 2.

As atividades também incluíram momentos de oração e a celebração diária da Eucaristia, presidida por Dom José Carlos de Souza Campos, Dom Joel Maria dos Santos e Dom Denilson Geraldo, integrando a programação do encontro e acompanhando as reflexões desenvolvidas a ao longo dos três dias.

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