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Cultivar e Guardar a Criação: Encontro pós-COP reforça compromisso socioambiental no Regional Leste-2

A Comissão Regional para Ecologia Integral e Mineração (CEREM) do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, no sábado, 06 de dezembro, em Sete Lagoas (MG), um Encontro pós-COP. O Encontro contou com mais de 50 participantes e teve como objetivo principal discutir os desdobramentos da COP30 e incentivar a criação dos Núcleos Eclesiais de Ecologia Integral nas dioceses do regional.

A programação começou com um momento de ecoespiritualidade conduzido pelo Ir. Marista Afonso Murad. Em uma vivência ao ar livre, ele apresentou sete características da espiritualidade ecológica, destacando a unidade entre corpo e alma, a dimensão comunitária, o profetismo e a escuta da Palavra de Deus na criação. O exercício buscou reforçar a compreensão de que o cuidado com o meio ambiente é expressão concreta da fé cristã, fundamentada no texto bíblico de Gênesis 2,15.

Para Rori Wesley, agente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o momento inicial foi marcante. Ele afirmou que a vivência fortaleceu o sentimento de pertencimento à Casa Comum e renovou o ânimo para a continuidade do trabalho socioambiental nas comunidades.

Na segunda parte do encontro, Frei Rodrigo Peret apresentou uma análise da COP30. Segundo ele, apesar da expectativa de uma “COP dos povos”, a conferência revelou limitações importantes. A participação de apenas 360 indígenas na Zona Azul, diante de 1.600 lobistas dos combustíveis fósseis, e a ausência dos Estados Unidos nos debates foram apontadas como fatores que prejudicaram as discussões sobre a transição energética. O chamado “Pacote de Belém” também foi considerado frágil por não estabelecer metas claras nem mecanismos de responsabilização.

Frei Rodrigo destacou, contudo, aspectos positivos, como a mobilização popular, o reconhecimento de quatro novos territórios indígenas no Brasil e o crescimento da atuação da Igreja no debate climático. Ele também citou a Cúpula dos Povos, que reuniu mais de 70 mil pessoas e defendeu pautas como demarcação de terras indígenas, desmatamento zero, agroecologia, soberania alimentar, justiça fiscal e o fim da exploração de combustíveis fósseis na Amazônia.

Ao longo do evento, representantes de dioceses e pastorais apresentaram experiências já em andamento, incluindo ações da Rede Igreja e Mineração, iniciativas da Província Eclesiástica de Mariana e os primeiros passos dos Núcleos Eclesiais de Ecologia Integral. Nos trabalhos por províncias, foram identificados desafios socioambientais e escolhidos representantes para acompanhar a implantação dos núcleos em cada região.

Integrante do Núcleo de Sete Lagoas, Kenia Patrícia afirmou que o encontro reforçou a compreensão sobre a relação entre crises sociais e ambientais e incentivou a adoção de ações práticas nas dioceses. Segundo ela, o compromisso com a Casa Comum é uma expressão de fé e inspira a organização dos novos núcleos.

No encerramento, o presidente da Comissão para Ecologia Integral e Mineração, Dom Francisco Cota, destacou que a CEREM tem como missão integrar as várias iniciativas eclesiais e da sociedade civil voltadas para o cuidado com meio ambiente, assim como apoiar e animar as dioceses em ações de cuidado com a Casa Comum. Ele ressaltou a importância dos Núcleos Eclesiais de Ecologia Integral como iniciativas que tornam concreta, nos territórios, a presença da Igreja na defesa da vida e na promoção da justiça socioambiental.

O Encontro pós-COP foi considerado um passo importante para a capacitação de Motivadores da Ecologia Integral, chamados a constituírem os Núcleos Eclesiais de Ecologia Integral nas (arqui)dioceses do Regional Leste-2. O objetivo é fortalecer as ações voltadas para o cuidado com a Casa Comum, conforme propõe a Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco.

Respostas de 2

  1. Um decisivo passo dado no sentido do fortalecimento da Igreja presente no Regional Leste 2 da CNBB, com vistas a incidir de forma transformadora, em defesa do cuidado da criação nos territórios deste vasto estado, que é Minas Gerais.

  2. O Encontro foi excelente! Não foi um encontro apenas teórico, mas, foram momentos da prática vivenciada pelos experientes palestrantes que nos conduziram à uma reflexão sobre a nossa ecoespiritualidade! Emocionante!

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