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Agitar os ramos

Com o Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa. A figura central é Jesus Cristo, acolhido com o agitar dos ramos, quando de sua entrada triunfal na cidade de Jerusalém. O povo não tinha plena consciência quanto ao gesto de alegria e contentamento, que envolvia a todos, em relação ao que aconteceu ao receber Jesus montado num jumento, ao chegar na chamada cidade eterna.

O profeta Isaías já tinha falado de um Servo sofredor, capaz de enfrentar todo tipo de afrontas, desprezo, ofensa e violência. Foi isto que aconteceu durante os dias daquela semana. Quem antes fora recebido com ramos, agora passa a ser condenado pela maldade de opositores, principalmente por autoridades manipuladoras do povo simples, sendo levado, de forma drástica, para morte na cruz.

Ainda, na visão de Isaías, o Servo sofredor seria aquele que traria palavras de conforto para as pessoas, mas foi também alguém de profundo sofrimento, uma realidade que podemos conferir no transcorrer da Semana Santa, semana da Paixão do Senhor. No final acontece o fato do mistério pascal, momento de muita alegria, fé e superação dos desesperos sofridos por tantas pessoas no cotidiano.

Em vista de Jesus Cristo ressuscitado e presente na história da salvação, devemos fazer um caminho firme de humanização para conquistar a plena divinização, hoje e na eternidade. Podemos assim evidenciar o sentido bem mais profundo da Semana Santa, de fazer com que as pessoas sejam mais humanas, fraternas e solidárias. É também o propósito da CF: “Fraternidade e amizade social”.

Jesus não é um super-herói e nem uma pessoa mágica. Todas as suas ações e os fatos reais da paixão e morte foram ancorados num profundo amor para com toda a humanidade. É como o perfume daquela mulher que banhou seus pés e espalhou odor por todos os lados. Assim a força do seu amor tem a capacidade de atingir universalmente todas as pessoas de boa vontade.

Devemos ser motivados para fazer o caminho com Jesus durante a Semana Santa. É uma forma de reviver o que fundamenta os princípios de nossa fé em Deus, evitando fugir do mundo só porque nele existe sofrimento, interpretando-o com mau. Não é que o mundo seja totalmente mau. Talvez esteja faltando bondade em nós e verdadeiro compromisso para construir uma sociedade melhor.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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