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Não tenhamos medo de anunciar o Evangelho!

As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projeto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo… Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.

A primeira leitura – Jr 20,10-13 – apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens. A leitura contempla parte da chamada quinta confissão de Jeremias. Depois de ser seduzido pelo Senhor e se deixar seduzir, o profeta proclama a justiça divina e torna-se alvo de zombaria e de calúnia. É alvo de injúrias e armadilhas por parte daqueles que não suportam a palavra profética da verdade e da justiça. Por isso, confessa seu desejo de abandonar a profecia. Mas, no final das contas, constata a presença de Deus ao seu lado e reza confiante: “O Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos”(Jr 20,11)

No Evangelho – Mt 10,26-33 –, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo. Jesus envia seus discípulos exortando-os ao temor e à confiança em Deus, durante seu percurso missionário. Como o Senhor esteve e está ao lado de seus profetas, como se viu na Primeira leitura, o Cristo protegerá sempre seus apóstolos, profetas-missionários. Jesus insiste por três vezes com os discípulos: “Não tenhais medo!”. Não temer pregar a verdade e o Evangelho por medo de quem não tem nenhum poder sobre a vida humana, essa é a ordem de Jesus” A incumbência e o dever do discípulo-missionário pregar e anunciar a verdade do Reino, o restante é por conta de Deus e de Jesus: “Não tenhais medo!” Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também, eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”.

Na segunda leitura – Rm 5,12-15 –, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projetos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de autossuficiência gera morte. A leitura nos revela que tanto o bem como o mal podem contagiar. Paulo desenvolve um paralelo entre Adão e Cristo. O paralelismo aponta para a superioridade do que aconteceu com Cristo: por causa de um só homem, a “graça de Deus” alcança toda a humanidade!

Muitas pessoas hoje, infelizmente, tem medo de testemunhar e de anunciar a fé. Certamente o medo era o grande problema da comunidade de Mateus. Havia o risco dela fechar-se em si mesma, com medo dos chefes da Sinagoga e do Império ?romano, medo da prisão e dos conflitos com a própria família.

Hoje continuamos com medo do desemprego, da injustiça, do fracasso, dos conflitos familiares, das perseguições, das violências vindas das milícias e grupos criminosos que tomam conta das cidades e dos campos. O Evangelho, por sua vez, nos convida a não ter medo de viver o projeto de Jesus – que exige justiça e compromisso com os mais pobres.

As consequências do anúncio do Evangelho são sérias e nunca nos faltará a assistência do Espírito Santo que tira o nosso medo e nos ajuda a testemunhar, com coragem, a novidade de Jesus Ressuscitado.

Não tenhamos medo de anunciar o Evangelho! Muitos de nós, pelo opção pelo Evangelho, sofremos críticas, perseguições, incompreensões, calunias quando combatemos as injustiças, a miséria e a arrogância. Jesus continua a nos dar força, estando sempre do nosso lado, para vencermos o medo e anunciarmos a bondade divina!

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