“Em defesa dos Direitos dos Povos Indígenas por inteiro” foi o tema da XLIII Assembleia Regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Leste, realizada de 4 a 7 de agosto de 2026, no Espaço EcoArte – Dom Helder, em Brumadinho (MG). Vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Cimi reúne agentes comprometidos com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos dos Povos Indígenas.

Durante a Assembleia, os participantes refletiram sobre os desafios enfrentados pelos Povos Indígenas e construíram estratégias de atuação diante das ameaças aos seus direitos. Inspirada pelo Evangelho e pela missão da Igreja junto às populações mais vulneráveis, a reflexão reafirmou que os direitos dos Povos Indígenas devem ser assegurados integralmente.
Nesse sentido, a Assembleia destacou a importância de reconhecer e proteger os direitos originários garantidos constitucionalmente. A reflexão contou com a contribuição de Roberto Liebgott, do Cimi Sul, que chamou atenção para a relação entre a defesa dos direitos indígenas e a garantia da dignidade humana.
“Os direitos dos povos indígenas não podem ser garantidos pela metade, porque a dignidade humana não admite frações.”
A Assembleia também ocorreu em uma semana marcada por debates de grande relevância para os Povos Indígenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os temas acompanhados estiveram o marco temporal, a mineração em Terras Indígenas e questões relacionadas ao licenciamento ambiental.
Direitos territoriais e proteção ambiental
A discussão sobre o marco temporal esteve entre os assuntos de atenção dos participantes, diante de seus possíveis impactos sobre o reconhecimento e a proteção dos territórios tradicionalmente ocupados pelos Povos Indígenas.
Outro tema acompanhado foi a mineração em Terras Indígenas, diante dos riscos que atividades de exploração mineral podem representar para os territórios, para as comunidades e para a preservação ambiental.
Também estiveram em pauta as discussões relacionadas ao licenciamento ambiental, considerando seus impactos sobre a proteção dos territórios e o enfrentamento do desmatamento e das mudanças climáticas.
As reflexões realizadas durante a Assembleia reforçaram a necessidade de uma atuação articulada na defesa dos direitos dos Povos Indígenas, especialmente diante de decisões e projetos que podem afetar seus territórios, modos de vida e formas de organização comunitária.
Encontro com o povo Xucuru-Kariri
Como parte da programação, os participantes encerraram a Assembleia na Aldeia Arapowã Kakyá, do povo Xucuru-Kariri. A presença na comunidade proporcionou um momento de convivência e de contato com a realidade e a resistência dos Povos Indígenas.
A experiência na aldeia marcou o encerramento da Assembleia, reafirmando a importância da escuta, da presença junto às comunidades e da construção de uma atuação missionária comprometida com a defesa da vida e dos direitos dos povos originários.
Ao concluir a XLIII Assembleia Regional, o Cimi Regional Leste, em comunhão com a CNBB Leste 2, reafirmou seu compromisso pastoral e missionário com os Povos Indígenas. A defesa integral de seus direitos e de sua vida permanece como expressão da missão da Igreja e do serviço à dignidade humana.
Leia, na íntegra, o manifesto elaborado pelo Cimi Regional Leste durante a XLIII Assembleia Regional:







