
O segundo dia do encontro iniciou-se com a oração das Laudes, presidida pelo Pe. Liomar Rezende de Moraes e pelo Pe. Éder Luiz Pereira, respectivamente ecônomo e chanceler da Arquidiocese de Juiz de Fora, e pelo Pe. Moacir Chagas Tavares, da Diocese de Divinópolis.
Em continuidade, o segundo dia foi dedicado ao aprofundamento dos fundamentos do Direito Canônico e à reflexão sobre a missão das cúrias diocesanas.
A programação no plenário teve início com um momento de acolhida e oração, conduzido por dom José Carlos de Souza Campos, arcebispo de Montes Claros e presidente do Regional Leste 2, e por dom Joel Maria dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e secretário do regional. A espiritualidade foi inspirada em São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes.
Direito Canônico e a identidade da Igreja
A assessoria teve continuidade com dom Denilson Geraldo, bispo auxiliar de Brasília, doutor em Direito Canônico e coordenador da nova edição do Código de Direito Canônico lançada pelas Edições CNBB. Em sua exposição, destacou a necessidade de compreender o Direito Canônico como uma ciência própria da Igreja, com metodologia e fundamentos próprios, enraizados na eclesiologia.


Segundo o bispo, o ponto de partida para o estudo do Direito Canônico não deve ser apenas a norma, mas a compreensão da própria natureza da Igreja. Nesse sentido, recordou a contribuição do Concílio Vaticano II, que ampliou a visão eclesiológica ao superar a compreensão da Igreja como uma “sociedade juridicamente perfeita”, predominante até a primeira metade do século XX.
Durante a formação, também foram abordadas as distinções entre associações de fiéis e institutos de vida consagrada, além das atualizações introduzidas pelo motu próprio Authenticum Charismatis, do Papa Francisco, que trata do reconhecimento de novos carismas na Igreja.
Reflexão sobre situações concretas
O encontro também se caracterizou pela partilha de situações práticas vivenciadas nas dioceses. Entre os temas discutidos estiveram a formalização jurídica de obras eclesiais, como creches e escolas paroquiais, e a relação entre associações civis vinculadas às paróquias e a comunhão com a diocese.
Dom Denilson destacou a importância de que iniciativas e obras da Igreja tenham sua constituição fundamentada também no Direito Canônico, e não apenas na legislação civil. Segundo ele, essa integração é essencial para garantir a continuidade e a comunhão eclesial das obras, especialmente quando há mudanças de liderança nas paróquias.
Outro ponto abordado foi a necessidade de fortalecer o diálogo com o poder público, especialmente no campo da educação, à luz do princípio da subsidiariedade, sem perder a identidade católica das instituições.
A contribuição do núncio apostólico
Um dos momentos mais significativos do dia foi a participação, por videoconferência, de dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil, que refletiu sobre o tema “A cúria diocesana e a dinâmica pastoral: o nexo imprescindível para a missão evangelizadora”.


O núncio partiu da compreensão de que a cúria diocesana nasce do próprio ministério do bispo e permanece a ele ordenada, cooperando para que a Igreja particular seja mais bem servida. Nesse sentido, ressaltou que suas funções vão muito além do âmbito administrativo: envolvem custodiar a fé, promover a comunhão, orientar o caminho pastoral, discernir situações, administrar com justiça e acompanhar presbíteros e comunidades.
Retomando uma imagem utilizada pelo Papa ao tratar da Cúria Romana, dom Giambattista destacou que as cúrias diocesanas também são guardiãs da memória histórica de cada Igreja particular — reunindo a trajetória de decisões, paróquias, sacerdotes e assembleias —, o que contribui para um governo pastoral com visão de longo prazo.
“Uma boa administração é a forma concreta da caridade. Ela zela pela justiça, promove a equidade, garante a transparência”, afirmou, ao enfatizar que não há oposição entre administração e pastoral. Segundo ele, um ato administrativo bem realizado pode prevenir conflitos, enquanto um processo canônico conduzido com seriedade pode contribuir para a cura de feridas.
O núncio também destacou a cúria como espaço de comunhão entre diferentes vocações — padres, diáconos, religiosos e leigos —, sublinhando que essa diversidade se torna riqueza quando vivida na escuta, na coordenação e na corresponsabilidade. Por fim, incentivou uma conversão pastoral das estruturas diocesanas, com a simplificação de processos, maior agilidade nas respostas e o uso da transformação digital a serviço da missão.
Celebração e partilha final
Foi celebrada a Santa Missa, presidida por dom Joel Maria dos Santos, bispo auxiliar de Belo Horizonte e secretário do Regional Leste 2, e concelebrada por dom Denilson Geraldo, SAC, bispo auxiliar de Brasília e assessor do encontro, pelo monsenhor João César T. de Melo, vigário geral da Diocese de Paracatu, e pelo Pe. Ueliton Neves da Silva, chanceler da Diocese de Itabira–Coronel Fabriciano.



O encerramento das atividades ocorreu com a divisão dos participantes em grupos, conforme suas funções, favorecendo a partilha de experiências e o diálogo sobre os desafios específicos de cada realidade.











