
Hoje, 31 de julho, é celebrado memorável dom agraciado ao povo mineiro: a proclamação oficial de Nossa Senhora da Piedade Padroeira do Estado de Minas Gerais. Em julho de 1960, a festa religiosa na Praça da Liberdade era engalanada pela imagem veneranda de Nossa Senhora da Piedade, obra prima do Mestre Aleijadinho, uma pérola de arte sacra, preciosíssima no invejável acervo sacro mineiro. Para a celebração, a imagem foi descida do alto da Serra da Piedade, do topo de seus 1746 metros de altitude, de “magnífica arquitetura divina”, como lembra expressão cunhada naquela ocasião, pelo venerável e bondoso arcebispo metropolitano de então, Dom João Resende Costa.
A Praça da Liberdade se tornou um templo a céu aberto, em 31 de julho de 1960. Multidão do amado Povo de Deus, acompanhada pelo conjunto dos bispos de Minas Gerais, contando com a presença eminente do ilustríssimo mineiro, entre tantos de sua galeria, nos vários campos da história magnífica deste estado, o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, então arcebispo metropolitano de São Paulo. Cardeal Motta foi membro do Clero da Arquidiocese de Belo Horizonte, primeiro capelão da Ermida da Padroeira de Minas, no tempo em que se subia até o lugar sagrado pelas trilhas, sem a atual estrada de acesso. O Cardeal foi quem obteve do então Papa São João XXIII, em 1958, a titulação que sela uma devoção popular, rica de significado teológico e espiritual. Depois de dois anos, celebrou-se a oficialização desta proclamação que se torna referência religiosa, turística, cultural e de relevância social.
Um memorável dom para o povo mineiro, feito resultante de uma paixão que forrou o coração do Cardeal Motta desde as primícias dos sete primeiros anos de seu ministério sacerdotal, fiel escudeiro e auxiliar de Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro, o pároco da cidade de Caeté, fundador do Instituto São Luiz, hoje, Recanto Monsenhor Domingos, herança maravilhosa de beleza, aconchego espiritual e conforto para visitantes e retirantes, com culinária de qualidade e vivências inesquecíveis. Monsenhor Domingos também é fundador da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, um patrimônio de relevância espiritual por meio de mulheres fortes e capazes, atuando no mundo da pastoral, da educação e do cuidado social. Monsenhor Domingos plantou no coração do Cardeal Motta, uma paixão que se pereniza como modelo para todo autêntico mineiro. Ao redor da pérola espiritual que é a devoção Mariana a Nossa Senhora da Piedade, entre as dezenas e centenas de títulos de Maria, a Mãe de Jesus e de todos os seus discípulos, fez-se a semeadura de uma sensibilidade ecológica, protagonizada pela Igreja Católica, na luta grande de sempre, e em todos os tempos, pela preservação do seu conjunto, incontestável defesa de um bem que pertence à Arquidiocese de Belo Horizonte, patrimônio de todos os mineiros, incidindo em muitas dimensões, como a intocável maravilha que é o seu lençol freático.
Esta paixão do Cardeal Motta pela Serra da Piedade ainda precisa estender-se para forrar os corações mineiros, particularmente de governantes e operadores na área minerária, para que esta pérola cumpra sua missão de ser fonte de espiritualidade mariana, de cultura e de turismo religioso e ecológico. Uma vocação constatada quando visitantes de diferentes regiões do Brasil e de muitas partes do mundo encontram as condições necessárias de mobilidade segura, por rodovia compatível com adequada infraestrutura, um pleito que somente será atendido por mentes lúcidas e capazes de ver longe. No horizonte da economia é um ativo relevante, com força de turismo religioso, na sua prerrogativa incontestável de ampliá-la sem as consequências depreciativas do meio ambiente. O Santuário de Nossa Senhora da Piedade, tratado adequadamente, nos âmbitos espiritual, de infraestrutura, de organização e serviços variados, sofre com a precariedade e perigos dos acessos, ouvindo de estrangeiros e outros a jocosidade nos dizeres, expressando o desejo de ter este patrimônio nas suas terras, para tratá-lo com a devida qualidade e alcance, o que é atingido por outros lugares bem menos dotados que este patrimônio mineiro, espiritual, ecológico, turístico e cultural.
A data de hoje, gera a oportunidade de trazer à memória também uma fileira de figuras humanas e ilustríssimas como: Antônio da Silva Bracarena, o eremita da Piedade, Frei Lourenço, o exilado da Piedade, Monsenhor Domingos, o evangelista da Piedade, Irmã Germana, a mística da Piedade, Frei Luiz de Ravena, o frade da Piedade, Cardeal Motta, o zelador da Piedade, Frei Rosário Joffily, o defensor da Piedade, Alcides da Rocha Miranda, o arquiteto da Piedade, Padre Virgílio Resi, o amante da Piedade, Zacarias Profeta, o conhecedor da Piedade, Dom João Resende Costa, o admirador da Piedade, visitantes, os encantados da Piedade, peregrinos, os confiantes na Piedade, Caeteenses, agraciados da Piedade, Minas Gerais, a casa da Piedade.
Este 66º Ano da Proclamação de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas, no altar de suas montanhas, onde Cristo Rei crucificado fincou sua cruz redentora, casa da sua Mãe, devoção oficialmente cultivada desde 30 de setembro de 1767, ecoa o convite irrestrito para que todos, especialmente, os mineiros, se inscrevam nesta fileira de ilustres. O resultado será de ganhos, avanços, vitórias e aprendizados novos, confirmando a fonte inesgotável de espiritualidade e aprendizagem ecológica, de beleza que encanta, de um silêncio que inebria e de uma aragem que renova a alma. Inscreva-se e se enriqueça!
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte




