
Na visão bíblica, missão é um compromisso ou incumbência para realizar o que propõe o Evangelho, no campo da evangelização. Começa com o envio de Jesus, quando ele disse aos apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Mc 16,15). A resposta ao convite é entendida como uma vocação, um ouvir o chamado e uma resposta livre diante da comunidade.
A identidade mesma da Igreja é a missão. Ela é missionária pela própria natureza e deve estar sempre “em saída”, seguindo o testemunho dos apóstolos, que iam às comunidades para proclamar a Palavra do Senhor. O conteúdo da missão envolve a iniciação à vida cristã, fundamentado nos princípios da fé, isto é, na vida, paixão e morte de Jesus na cruz, sepultamento, ressurreição e Ascenção.
A Páscoa significa plenitude do amor e da misericórdia de Jesus Cristo. Esse é o troco dado aos que o condenaram à morte. Jesus não seguiu o caminho da vingança. Justamente por isto que ele diz de amar os inimigos (cf. Mt 5,44). Esse comportamento está na contramão daquilo que é a conduta da sociedade, onde a prática da vingança e de não deixar para depois, é preocupante.
Não podemos entender missão como exercício daquilo que leva ao mal. O mundo das maquinações é diabólico, porque conduz as pessoas para a morte. Falamos de missão que tem como fim a vida e dignidade das pessoas, porque esta foi a proposta de fé apresentada, exaustivamente, por Cristo, na cruz. Não é o ouro e nem a prata que trazem dignidade, mas o sangue de Cristo na cruz.
O mundo não entende a missão de Jesus, a consideram um absurdo e fica desconfiado. Foi o que aconteceu com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35), inseguros e sem esperança em relação à identidade e missão de Jesus. Saíram de Jerusalém com fé ameaçada e transtornados com o que havia acontecido. Mas Jesus aparece e caminha com eles para recuperar neles a fé e a esperança.
Na missão, o missionário não pode ter os olhos embaçados e frios por causa da falta de fé. Sinal de que falta uma catequese querigmática, que introduza a pessoa nos mistérios da fé. Foi o que fez Jesus com os discípulos no caminho para Emaús. As palavras anunciadas sensibilizaram seus corações, mas seus olhos se abriram diante do gesto sensível da partilha do Pão Eucarístico, em Emaús.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo Metropolitano de Uberaba





