A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil recebeu, na noite do dia 02 de março de 2026, uma homenagem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a pedido do deputado Leleco Pimentel, pela realização da Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”. A CNBB foi representada pelo secretário executivo do Regional Leste 2, padre Rodrigo Souza da Silva.



Ao abrir sua fala, o deputado Leleco Pimentel destacou que a pauta da moradia é uma realidade urgente em Minas Gerais e no Brasil. Ele recordou sua participação na Campanha da Fraternidade de 1993 e testemunhou sua própria experiência de vida em situação de rua. Segundo ele, a luta por moradia digna é também uma luta por justiça social e pelo cumprimento da função social da propriedade.

O parlamentar denunciou a existência de imóveis vazios na Região Metropolitana enquanto milhares de pessoas seguem sem teto e defendeu políticas públicas efetivas. Recordou ainda a mobilização que resultou na criação do Ministério das Cidades e na estruturação de programas habitacionais, ressaltando que somente com organização popular e prioridade do Estado será possível enfrentar o déficit habitacional. Ao final, pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas das chuvas em Juiz de Fora, Ubá e outras regiões do estado.
Representando a CNBB, padre Rodrigo iniciou sua participação convidando todos a proclamarem juntos o lema que ecoa nas comunidades: “Eu vim para que todos tenham vida plenamente”. Em seguida, afirmou que a Igreja no Brasil, há mais de 60 anos, organiza-se para favorecer ações caritativas e pastorais, e que a Campanha da Fraternidade tem como primeira lição fomentar a fraternidade.

“O lema Ele veio morar entre nós resume todo o mistério da Encarnação. É porque Cristo veio morar entre nós que nos preocupamos com a moradia de nossos irmãos e irmãs”, afirmou. Iluminado pela Palavra de Deus e pela Doutrina Social da Igreja, o secretário executivo apresentou dados que revelam a gravidade da situação habitacional no país, recordando que milhões de famílias não possuem moradia adequada, enquanto há imóveis desocupados em número superior ao déficit habitacional.
Padre Rodrigo ressaltou que a moradia é direito constitucional, mas não tem sido prioridade em muitos orçamentos públicos. “Promover moradia digna é promover fraternidade, e promover fraternidade é tornar visível o Reino de Deus entre nós”, enfatizou. Ele também alertou para a necessidade de romper preconceitos contra pessoas em situação de rua e de corrigir a compreensão da moradia como mera mercadoria.
Citando São João Crisóstomo, recordou que não é possível honrar Cristo nos templos e ignorá-lo quando sofre nas ruas. “Aquele que disse isto é o meu corpo também disse tive fome e não me destes de comer”, destacou, reforçando que a fé cristã possui incidência social concreta.
O coordenador da Pastoral Metropolitana dos Sem Casa, Carlos Alberto Santos da Silva, agradeceu à CNBB por assumir a temática da moradia e reforçou a importância da autogestão e da organização popular. Para ele, a Campanha da Fraternidade não pode se limitar ao período da Quaresma, mas deve impulsionar ações permanentes em defesa do direito à moradia.



A deputada Leninha, 1ª vice-presidenta da Assembleia, sublinhou que o Brasil é um país rico, porém profundamente desigual, e que a justiça social deve orientar a ação política. Recordando sua própria infância em casa marcada por goteiras e insegurança nas noites de chuva, afirmou que a luta por moradia digna é também uma luta por proteção, segurança e dignidade para as famílias mais vulneráveis.
Em mensagem enviada à solenidade, a vice-presidenta da Assembleia destacou que o direito à moradia é o direito de existir com dignidade, de ter um lugar no mundo, um teto que protege e um espaço onde a vida possa se renovar. Reconheceu ainda que a Campanha da Fraternidade ultrapassa o campo religioso e fortalece as bases éticas da vida pública.
Fotos: Daniel Protzner – Fotógrafo/ALMG






