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Paz e esperança para todos

Ao iniciarmos mais um ano, dentro da oitava de Natal, celebramos a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima. Este é um dia de expressão de fraternidade e paz. Maria é a Rainha da paz, pois trouxe em seu ventre o príncipe da paz. Toda a Igreja se associa ao canto de Maria na solene liturgia, bendizendo o Deus da vida que, por meio do “sim” de sua mãe, realizou suas maravilhas em toda a humanidade. Desde de 1968, quando São Paulo VI proclamou o dia primeiro de janeiro como Dia Mundial da Paz, a Igreja, através dos tempos, na voz do Santo Padre, estende o convite aos cristãos para que sejam construtores da paz, contra toda forma de violência; propondo relações mais humanas e fraternas marcadas pelo amor. A primeira benção do ano também é uma invocação da paz de Deus aos seus filhos e filhas.

Papa Francisco escolheu para a celebração do Dia Mundial da Paz o seguinte tema: “Inteligência artificial e a Paz”. O Santo Padre reconhece o progresso da ciência e da tecnologia como um caminho possível para a paz. A Inteligência é o sinal do Criador na criatura, que nos fez sua imagem e semelhança. Ela deve ser utilizada para resgatar a dignidade intrínseca de cada pessoa e a fraternidade, que nos une como membros de uma só família humana. A inteligência artificial deve contribuir, beneficamente, para o futuro da humanidade e para a paz entre os povos, ou seja, ela deve favorecer um comportamento ético e responsável no respeito aos valores humanos fundamentais. Isto implica participar no serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade.

No momento de conflito bélico entre algumas nações, no qual parece que não aprendemos a lição dos horrores de duas grandes guerras do século passado, a humanidade parece retroceder no propósito da construção de uma civilização do amor e da paz. De outro lado, a mensagem do Santo Padre ecoa repleta de esperança, pois se há muitas formas de guerra no mundo, tal mensagem cristã, que nasce do Evangelho, sempre atinge o coração do homem, que é a raiz de toda transformação pessoal e social. A paz almejada só será possível através do diálogo e de uma ética global solidária. O caminho da paz sempre visa o desenvolvimento integral do homem, como sempre destacou São Paulo VI, e este não ocorre fora do diálogo, da educação e do trabalho. Portanto, eles devem estar sempre interligados. Dialogar é também caminhar juntos, ouvir o outro e cultivar sementes de uma paz duradoura, isto é, que perpasse as gerações; pois cada geração tem algo a ensinar e aprender. Precisamos deixar também um legado de paz para as próximas gerações.

A pergunta fundamental que devemos nos colocar é: como construir um caminho de paz? Muitas vezes somos tentados a pensar a paz no seu aspecto puramente objetivo, fora de nós mesmos. Mas um olhar autêntico e corajoso nos leva a refletir sobre o desejo de paz como algo inscrito no coração do homem; esta é a marca do criador em cada um de nós. Daí parte o convite universal do Santo Padre ao traçar um caminho complexo, mas possível, para a paz. Para atingirmos tal objetivo precisamos apelar à consciência moral, aliada a uma vontade pessoal e política. Tal fato supõe a busca da verdade que ultrapasse ideologias e divisões, que observa o respeito ao direito de cada um como medida para atingirmos o bem comum, baseado na justiça para todos; como deve ser toda sociedade que se diz democrática. A democracia deve garantir a tolerância e o respeito recíproco entre as pessoas e a adesão às decisões da maioria. O futuro e progresso de uma sociedade dependem de uma sã democracia (João Paulo II, Evangelium Vitae, 70).

Por fim, o cristão não pode se eximir da busca de uma ordem justa e do serviço ao bem comum, através de valores autenticamente evangélicos. Este é um caminho que requer paciência e confiança, pois sabemos que não existe uma paz acabada e duradoura. Ela é uma construção permanente. Como sempre cantamos ao raiar de um novo ano: “este ano quero paz no meu coração…”. Eis uma motivação que gera em nós atitudes e palavras, que faz de cada um verdadeiro artesão da justiça e da paz. Feliz ano novo, repleto de saúde e paz para todos. Frutuosas bênçãos.

Dom Pedro Cunha Cruz
Bispo Diocesano da Campanha – MG

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