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Singularidade do deserto

A expressão está em sintonia com o Tempo da Quaresma e com os indicativos de purificação, penitência e conversão. Para Jesus, passar pelo deserto foi momento de tentações, seduções e investidas do demônio. Se as pessoas se deixam sucumbir por essas situações, as consequências são de divisão, desumanização e estrangulação da consciência de fé nas relações com Deus e com a comunidade.

Na visão bíblica, o ser humano veio do pó da terra, do sopro de Deus, e para ele vai voltar, mas levando consigo todos os frutos conquistados durante a trajetória feita pelo deserto, das conquistas adquiridas, singularmente, no difícil enfrentamento cotidiano da vida, mas de forma determinada. Deserto pode implicar sofrimento e oportunidade criativa, que envolve a história toda da pessoa.

O enunciado bíblico, na expressão de “Jardim do Edem” (Gn 2,15), não aparece como deserto, mas lugar de escolha entre o bem e o mal. O casal, Adão e Eva, não foi capaz de optar pelo bem, que exigia a virtude da obediência à proposta apresentada pelo Senhor. A escolha do mal trouxe consequências pessoais e tiveram que arcar com o peso da decisão, marcando a vida de toda a humanidade.

A serpente do Jardim do Edem foi instrumento de tentação para o primeiro casal, assim foi o demônio, que tentou Jesus no deserto da Palestina. Jesus não se deixou levar para as propostas do mal. Não foi o que aconteceu com Adão e Eva, que não conseguiram resistir diante da maldade da serpente. Os dois não se conformaram em ser humanos e sim ser como deuses e se deram mal.

O Jardim do Edem é uma figura do Céu. Não cabe, nos dois, a injustiça e a desobediência. Por causa disto, o primitivo casal, pela infidelidade, contaminou toda a história da humanidade, e não só foi expulso do Jardim, mas perdeu os privilégios de origem. Daí, a vida se tornou mais difícil e passou a exigir trabalho e esforço redobrado para reconquistá-lo. Mas Deus concedeu a graça do perdão.

O individualismo e a indiferença da pessoa em relação aos outros, nos dias de hoje, se equiparam perfeitamente às tentações sofridas no deserto, por ser ali lugar de isolamento e de conflitos interiores. Sem uma postura firme e um coração aberto para Deus, contido nos Evangelhos, a pessoa acaba se deixando levar pela tentação da insensibilidade para o sentido belo da vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo Metropolitano de Uberaba

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