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6ago2023

1ª LEITURA: Dn 7, 9-10.13-14

O livro de Daniel é do Séc. II a.C., tempo dos Macabeus. O rei que dominava a Palestina era o Rei da Síria, Antíoco IV Epífanes (175-164 a.C.), perseguidor cruel dos judeus. Ele queria que o povo judeu negasse suas raízes e tradições e adotasse os costumes dos gregos. Buscava acabar com a religião dos judeus, sua cultura, seus costumes. O livro de Daniel, como também 1 e 2 Macabeus, são livros que reforçam a esperança e a resistência do povo. Foi escrito em linguagem apocalíptica, através de muitas imagens e símbolos, para ser entendido apenas pelas comunidades perseguidas e não pelos opressores. Diante dos poderosos deste mundo, o autor quer mostrar que, na realidade, o único Deus que existe é o de Deus de Israel, e só ele é o Senhor da história.
As quatro feras do capitulo 7º são os quatro reinos que dominaram o povo judeu entre os séculos VII e II a.C., ou seja: o Império Babilônico (leão); o Reino dos Medos (urso); o Reino do persas (leopardo) e o Império Grego, sob Alexandre Magno e seus sucessores. Os dez chifres são os reis da dinastia grega dos Selêucidas, que dominavam a Síria no séc. II a.C. O chifre pequeno é Antíoco IV Epífanes, o representante do quarto Império. É a quarta fera, mais atrevida e insolente do que as outras, pois matava quem se mostrasse fiel ao projeto do Senhor.
No mesmo sonho, onde Daniel vê estas quatro feras, ele vê também um ancião sentado no trono de fogo, com um exército de milhões de anjos. É o próprio Deus. O livro da história dos povos está sendo aberto. É o julgamento do Altíssimo e Todo Poderoso (vv. 9-10). Os vv. 13-14 revelam outra parte do sonho: alguém como um “filho do homem” vindo sobre as nuvens se aproxima do trono e é apresentado ao Ancião. O Ancião lhe entrega poder, glória e reino eternos. E todos os povos, nações e línguas o serviam.
Quem é esse Filho de Homem? Na visão imediata do profeta, este Filho do Homem é uma imagem simbólica do povo de Deus ora perseguido, mas a quem Deus entrega seu próprio poder de vencer e submeter todos os povos. Deus está do lado dos oprimidos e promete uma reviravolta na história. Este texto é visto no sentido pleno pelo Novo Testamento. O Filho do Homem é Jesus. O conceito de reino é transferido para a pessoa do rei. O próprio Jesus se chama Filho do Homem. Jesus realiza em plenitude esta passagem da Escritura. Confira a soberania de Jesus em: Ap 5,11-14; Cl 1,15-20; Fl 2,6-11.

2ª LEITURA: 2Pd 1,16-19

Estamos diante da carta mais recente do Novo Testamento, quer dizer, a que foi escrita por último. Ela é muito posterior à morte de Pedro. É, provavelmente, do Séc.II, depois que todos os apóstolos já tinham morrido (cf. 2Pd 3,4). Faz também referência às cartas de Paulo (2Pd 3,14-16). A 2Pd é considerada como se fosse escrita por Pedro. Isto é um procedimento muito comum no Novo Testamento (Cf., por exemplo, todas as “cartas pastorais”, que são atribuídas a Paulo). A 2Pd deve tratar-se de um discípulo de Pedro e, por isso, escreve em seu nome. Este recurso de chama pseudonímia.
Qual é o assunto da Carta? O autor exorta a perseverar na fé e na esperança cristã, admoesta contra os falsos mestres com suas doutrinas corruptas. Com relação ao fim do mundo, fala da paciência de Deus, para quem “um dia é como mil anos e mil anos é como um dia”. No fim, haverá novos céus e nova terra. Por enquanto, estamos no tempo da espera da nova vinda de Jesus, mas muitos falsos mestres estão ensinando bobagens baseadas em fábulas enganosas, No nosso texto, fazendo suas as experiências de Pedro, o autor se contrapõe aos falsos mestres relembrando a convivência do grande apóstolo de Jesus no monte Tabor (cf. Mc 9,2-8; Mt 17,1-9; Lc 9,28-36). Ali, os apóstolos viram a majestade de Jesus e dessa majestade eles são testemunhas. Jesus recebe do próprio Deus, que é seu Pai, a honra e a glória, quando uma voz vinda da sua glória lhe diz: “Este é meu Filho amado; nele encontro meu agrado”.
Trata-se aqui da reportagem de uma testemunha ocular. E o autor insiste no aspecto do testemunho: “Esta voz veio do céu e nós próprios a ouvimos, quando estávamos com ele no monte santo” . A preocupação do autor é chamar a atenção dos seus fiéis para a verdade, que vem do apóstolo, diante das doutrinas falsas e perigosas que vão aparecendo.

EVANGELHO – Mt 17,1-9

Quem são os privilegiados para presenciar a transfiguração de Jesus? Pedro, Tiago e João. “Peixinhos” de Jesus? Talvez não. Provavelmente, porque precisavam de maior assistência, dado serem de personalidade muito forte. Pedro é pedra (cf. Mt 16,18-23) e Tiago e João são filhos do trovão (Mc 3,17). Jesus sobe com eles para uma alta montanha, lugar da revelação de Deus, como no Sinai. A alta montanha lembra também a montanha das tentações.

O que acontece sobre o monte? A transfiguração de Jesus. A transfiguração é sinal de ressurreição. Jesus antecipa em sua vida o que vai acontecer após sua morte. Jesus dá, assim, uma força nova aos discípulos, decepcionados com as suas últimas palavras (cf. Mt 16,21ss). O rosto de Jesus brilha como o sol, e suas roupas ficam brancas como a neve. Refere-se à vitória da justiça do Reino, onde os justos brilharão como o sol (cf. 13,43) Jesus aparece, aqui, como novo Moisés, cujo rosto também brilhou sobre o monte Sinai (cf. Ex 34,29-35).

Moisés e Elias aparecem conversando com Jesus. Lucas vai lembrar que conversavam sobre sua morte (cf. Lc 9,31). Moisés e Elias representam a Lei e os profetas, quer dizer, o Primeiro Testamento, que vai ceder o lugar para o Segundo. Agora, a voz autorizada não vem mais de Moisés e Elias, mas de Jesus (v. 5). Pedro queria igualar Jesus aos dois personagens celestes (episódio das tendas), mas Jesus lhes é superior. Ele veio cumprir todas as promessas do Primeiro Testamento.

Quem é Jesus?

A nuvem lembra a presença divina. É da nuvem que sai a voz autorizada do Pai: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz”.

Esta expressão marca o evangelho de Mateus, pois ela aparece no início (3,17), no meio (17,5) e no fim (27,54). Ela lembra o Sl 2,7 afirmando que Jesus é Rei, recorda Is 42,1 confirmando que Jesus é o Servo de Deus, que dá a vida. E, por fim, Dt 18,15 para mostrar Jesus como o profeta a quem todos deverão escutar.

Os discípulos diante desta manifestação divina ficam com medo, mas Jesus os encoraja. Quando abrem os olhos veem apenas Jesus. É porque para Jesus converge todo o Primeiro Testamento. O v. 9 lembra a ordem de Jesus: só poderão contar o fato após a ressurreição de Jesus. É que a ressurreição é o fundamento da nossa fé em Jesus – cumpridor das promessas do Primeiro Testamento e de toda a justiça do Reino.

Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo diocesano de Caratinga

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