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10mar2024

1ª LEITURA – 2Cr 36,14-16.19-23

Estamos no fi nalzinho do Segundo Livro das Crônicas, que é também o fi nal da Bíblia Hebraica. O cronista faz uma síntese da história do povo de Deus destacando de um lado a infi delidade do povo e do outro lado a fi delidade de Deus. Por que Judá foi parar no exílio? Por causa da má conduta dos seus dirigentes políticos e religiosos e também do povo: infi delidade, idolatria e profanação. Deus tinha dó do povo e enviava-lhe continuamente mensageiros. Mas qual era a reação? Zombarias, desprezo, gozação. Deus usa uma pedagogia diferente. Ele permite que o povo sofra as consequências da própria irresponsabilidade. Assim, Jerusalém foi destruída pelo inimigo que era a Babilônia, e o Templo de Deus foi incendiado. O povo responsável pelo rompimento do projeto de Deus foi deportado e se tornou escravo (ano 586 a.C.). A citação de Jeremias lembra que um dos pecados das elites de Judá foi não respeitar a lei do repouso da terra a cada sete anos (Lv 26,34-35). Essa lei lembra que a terra era de Deus e que essa não podia ser fonte da exploração do povo por parte da ambição dos ricos. A terra tem assim um repouso forçado. Parece que está tudo acabado por causa da infi delidade do povo. Mas não se pode esquecer que o projeto de uma vida fraterna e solidária não é do homem, mas de Deus; é promessa de Deus para o homem e Deus nunca é infi el em suas promessas. Deus faz renascer a esperança do povo usando o rei da Pérsia, Ciro, para libertar o seu povo (ano 538 a.C.) e recomeçar a reconstrução do Templo. Com a reconstrução do Templo de Jerusalém o povo vai recomeçar a ter liberdade e vida.

2ª LEITURA – Ef 2,4-10

Poderíamos salientar no trecho de hoje dois pontos:
Primeiro
: Deus é muito bom, ele nos ama profundamente não por causa do que fazemos de bom, mas por causa de nós mesmos, pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus; sem Deus estamos mortos. Sua bondade, seu amor se traduzem em misericórdia e perdão, através de Jesus Cristo que nos fez reviver.
Segundo
: o autor lembra a questão da fé e das obras ou a questão da graça e do mérito. O que nos salva não é o que fazemos, mas o que Cristo fez por nós. Duas vezes o autor salienta que é pela graça que somos salvos. Então, a gente não deve fazer nada de bom? É claro que deve. O que a gente não deve é fazer nada de mal, pois nós não fomos criados para fazer o mal, mas o bem. “Somos criados em Cristo Jesus para as boas obras, que Deus preparou de antemão, afi m de que nelas caminhássemos”. Precisamos de um texto mais claro? Assim, não podemos nos gloriar de nossas boas obras, pois o mérito não é nosso, mas do Pai. Mas sempre que fazemos boas obras tomamos consciência de que acolhemos a salvação de Deus e de que já estamos de certo modo “ressuscitados no céu em Cristo Jesus”.

EVANGELHO – Jo 3,14-21

Nosso trecho faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos. Podemos destacar os seguintes pontos:
1º) No deserto foi preciso que Moisés levantasse uma serpente de bronze, para que quem fosse mordido por cobra fi casse curado, olhando para a serpente (Nm 21,8-9).
Uma pequena observação sobre as imagens
. É curioso que a serpente sempre foi símbolo de idolatria. Por que o Primeiro Testamento conserva este texto perigoso, quando na maioria das vezes proíbe fazer imagens
para adorar
. É que essa imagem da serpente não está curando por força própria, mas pelo poder de Deus. Por isso não pode ser confundida com ídolo. A imagem dos santos é muito menos perigosa e tem um papel muito mais fraco, pois apenas lembra que o santo foi totalmente consagrado ao único Deus de poder e de amor que se manifestou em Jesus Cristo. As imagens na Igreja apontam todas para um único Deus e Senhor. Portanto, o uso das imagens nada tem de idolatria. Provocam, sim, o contrário, uma caminhada de fé em direção ao único
Deus que com seu poder e seu amor transformou a vida daquele santo, cuja imagem é apenas um retrato. Voltando à comparação da serpente levantada por Moisés, Jesus mostra que ele também será levantado numa cruz para curar, dar a vida eterna a todos aqueles que foram mordidos pela serpente do pecado e da morte.

2º) Como a gente alcança a vida eterna?
Sabendo reconhecer e acolher na vida a grandeza do amor misericordioso de Deus, que foi capaz de entregar seu Filho único para dar a vida aos que nele crerem. Este reconhecimento e esta acolhida signifi cam a adesão de fé à pessoa de Jesus crucifi cado e ressuscitado.

3º) Para que Jesus veio ao mundo?
Para trazer-nos salvação não condenação. A decisão se dá pela fé aqui e agora; crer é ser salvo, não crer é ser condenado. É bom lembrar que o núcleo da fé é a ressurreição; quem nega a ressurreição, nega Jesus. O que dizer dos espíritas e das religiões que acreditam na reencarnação?

4º) Como se dá o julgamento?
O julgamento acontece não por decisão, decreto de Deus, mas por decisão do homem. É uma questão da preferência do homem que não aceita Cristo como luz que ilumina nossas ações, mas dá preferência às trevas do erro e do pecado. Quem faz boas obras sente-se bem, porque a verdade de suas ações aparece. Quem faz más obras sente-se mal, porque se vê condenado, desmascarado e por isso odeia a luz.

Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo emérito da diocese de Caratinga

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